Pular para o conteúdo

Cejusc, em menos de um mês, concilia pai e filha que litigavam há mais de 23 anos

10/11/2017 19:11
9766 visualizações

Ainda sem completar seu primeiro mês de efetiva instalação, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) que funciona desde 16 de outubro nas dependências do Fórum José Arthur Boiteux, no campus da UFSC, já tem motivos para comemorar. Nesta semana, a partir de um trabalho multidisciplinar que envolveu mediadores voluntários com formação tanto em Direito quanto em Psicologia, foi possível obter conciliação em processo de natureza familiar que já se arrastava há mais de 23 anos.

Mais do que encerrar a demanda judicial, explica a juíza Vânia Petermann, titular do Juizado Especial Cível e Criminal da Trindade, com competência também para ações de família e cíveis ajuizadas na UFSC, houve a reaproximação entre pai e filha, litigantes que discutiam alimentos por mais de duas décadas. A magistrada foi responsável pela designação da sessão de mediação familiar, antecedida pela participação das partes, em datas distintas, na oficina "Conversas de Família".

As mediadoras voluntárias Flávia Carolina de Fávere e Neusa Kuester Vegini, ambas capacitadas pela Academia Judicial, levaram uma hora e meia para atingir o objetivo sempre tergiversado em anos de tramitação judicial. Elas se valeram da linguagem da comunicação não violenta para identificar as necessidades e validar sentimentos de pai e filha. Com esse procedimento interdisciplinar, houve aproximação entre as partes que, além de comporem definitivamente o conflito, iniciaram diálogos de aproximação por iniciativa própria.

A professora Cristina Mendes Bertoncini Correa, do Escritório Modelo da UFSC, fez questão de registrar sua satisfação e a euforia de seus alunos que presenciaram o desfecho consensual do longevo imbróglio, traduzido em abraços trocados entre pai e filha e na promessa de o primeiro participar ativamente da educação do neto - que pouco havia visto desde o nascimento.

A juíza Vânia, grande entusiasta da mediação e conciliação, homologou o acordo com o justo sentimento de que a busca pela justiça pode e deve percorrer caminhos alternativos e não adversariais para alcançar resultados. Ela observa que, após a criação da oficina coletiva Conversas de Família e do serviço de mediações interdisciplinares, a unidade aumentou o índice de acordos para 91% das ações e viu reduzir abaixo de 10% os casos de descumprimentos.

Essas abordagens, acrescenta, também passaram a ser manejadas em conflitos de vizinhança e entre familiares na esfera cível com resultados igualmente positivos, porém ainda sem uma estatística formal. O Cejusc da UFSC destina-se à realização de sessões de conciliação e mediação judicial e extrajudicial e ao atendimento e orientação ao cidadão, de segunda a sexta-feira, das 12 às 19 horas. 

Fotos: Divulgação/Pixabay
Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo